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Não tem ninguém que eu conheça que nunca tenha falado: “Bah, correria”. O cúmulo pra mim foi um dia que um fabricante de uma empresa, lá no escritório, mandou pelo MSN: “Bah, Sampa, né? Correria”. Sim, porque, é claro, só em São Paulo se corre. :S

Enfim, o site novo finalmente entrou no ar!

www.caladwin.com.br = parada obrigatória

Essa função tomou um bom tempo dos últimos 10 dias. Mas enfim, está lá. E amanhã vai ter atualização. Pelo menos dois novos textos.

Outra função é a questão das imagens. Ainda não estão “cleared” totalmente para o uso – até estão, mas eu ando muito precavido com essas coisas. E isso é a única coisa que impede de mostrar a capa (pelo qual estou apaixonado) do livro. O Roberto matou a pau nessa. Quem sabe até o final da semana eu já não consigo publicá-la no site?

Tem coisa que deixa com mais frio na barriga do que publicar um livro, e especialmente um que se gosta muito? Eu já recuso todos os convites pra fazer coisas durante a semana – muita culpa por não estar trabalhando. Ausência garantida mesmo…

Uma coisa que me chama muito a atenção é a ideia de que obras de fantasia são, essencialmente, alegóricas.

Lembrei de cara de como, nos estudos bíblicos, em muito se tem a noção generalizante de que a bíblia também se presta a uma interpretação apenas como alegoria. E imagino que, da mesma forma que ali, se perca nesse (preconceituoso) pressuposto uma míriade sem fim de interpretações e sentidos nas obras de literatura fantástica, ficção científica, horror e afins.

Demorei, por isso, mais de 10 anos pra entender o motivo pelo qual Tolkien era tão contra a redução de sua maior obra a uma mera alegoria:

I cordially dislike allegory in all its manifestations, and always have
done so since I grew old and ware enough to detect its presence. I
much prefer history, true or feigned, with its varied applicability to
the thought and experience of readers. I think that many confuse
‘applicability’ with ‘allegory’; but the one resides in the freedom of the
reader, and the other in the purposed domination of the author.

Encontrei um livro chamado Other Worlds: The Fantasy Genre, que discute muito bem essa questão. Depois de uma definição de alegoria, como sendo “A form of extended metaphor in which objects and persons in a narrative, either in prose or verse, are equated with meanings that lie outside the narrative itself.“, se levanta a questão de que uma alegoria, pensada e escrita como uma, é criada para ser lida unicamente com as faculdades intelectuais.  E, ao contrário, uma história de fantasia é para ser lida primeiramente com o coração (p.6).

Pela sua própria natureza dual e comparatica, a alegoria é quase um quebra-cabeça, e, segundo John H. Timmerman, “the story is essentially two-dimensional. The task of the reader is to establish this two-dimensional parallelism“. No que, até o momento, eu concordo. E pra contrapor essa ideia, e embasar ainda mais sua crítica contra ler o Sr. dos Aneis como uma alegoria, Tolkien explica o que é o seu livro, para ele:

“The prime motive was the desire of a tale-teller to try his hand at a really long story that would hold the attention of readers, amuse them, delight them, and at times maybe excite them or deeply move them.”

 E mais adiante, o meu argumento preferido pra escapar de vez da ideia de alegoria:  torna a história um mero acessório para ela, para o seu significado.

Penso que a ideia de alegoria vai de encontro a ideia de escapismo, que também permeia muito obras de fantasia. Não que não seja possível aliar – talvez seja e me escape um exemplo óbvio agora – mas o impulso de criar uma história alegórica, cujo entendimento exista na comparação com um evento da realidade que se queira fazer menção, não me parece permitir que exista o escapismo, que é justamente a fuga da realidade.

Como pode então a literatura de fantasia ser reduzida unicamente a essas duas palavras, a esses dois focos, (para mim, mais uma vez) opostos? Mais curioso é ver que, ao que tenho lido, somente nos últimos tempos é que se tem visto o valor literário das obras em si. Loucura, não?

The major problem — one of the major problems, for there are several — one of the many major problems with governing people is that of whom you get to do it; or rather of who manages to get people to let them do it to them.

To summarize: it is a well known fact that those people who most want to rule people are, ipso facto, those least suited to do it. To summarize the summary: anyone who is capable of getting themselves made President should on no account be allowed to do the job. To summarize the summary of the summary: people are a problem.

Em The Restaurant at the End of the Universe.
Excelente!

Em O Olho do Mundo, no capítulo 17, lá pelas tantas os personagens estão em uma estalagem. E eis que começam a dançar e a cantar. Coisa até comum em muitos jogos de RPG, por exemplo, mas dessa vez eu quis dar uma pesquisa, porque as canções tem uma métrica muito confusa, e a rima é estranha; muito diferente daquele ABAB que a gente aprende na escola.

A primeira dança é um reel e a segunda, uma jig. Surpresa pra mim foi até saber que o português giga existe.  O fato principal é que, ao descobrir que estilo de música eram essas mencionadas no livro, bah… como enriqueceu a experiência. Sem contar que eu consigo imaginar pessoas cantando animadas músicas embaladas por essa sonoridade. Imagina dançar isso em um pub, como se fosse uma quadrilha! (O Ferrari vai lembrar dos churrascos de antigamente)

Essa é um reel então, um bem famoso até:

E que tal essa giga?

Bah, os Dubliners são demais!

Acabei de ver um trailer pra um filme que só tinha ouvido falar no nome: The Road. A despeito de se passar num futuro pós-apocalíptico – aquele bla-bla-bla todo – não parece ser um novo Mad Max. Aliás, pelo que li sobre o livro que deu origem a ele, me lembrou muito mais Y: The Last Man. Que, a propósito, acho que também vai virar filme.

Curiosamente, não sabia que o nosso amigo Aragorn estava no elenco. Acho que vou ir atrás do livro também.

De qualquer forma, tenho certeza de que alguém vai ver o filme nem que seja pela trilha sonora do Nick Cave.

É, um filme com o Aragorn tem que ser bom…

Já vai um tempo, li um belo artigo na tor.com. Não que seja uma beleza na realidade, mas trouxe um fato novo pra mim. Existe, de toda uma parte, uma ideia de que o realismo mágico (característico de autores sulamericanos como Gabriel Garcia Marquez) seja uma obra de fantasia, assim como A Torre Negra, As Brumas de Ávalon e coisas assim. Curioso, é claro, que minha mãe nunca tenha cogitado ler minha edição de O Senhor dos Anéis, mas tinha seu próprio exemplar de Cem Anos de Solidão.

Então o tal Jon Evans faz a pergunta: “Is it in fact just a label used by highfalutin university professors and literary critics to canonize those fantasy novels they like, while simultaneously dismissing “fantasy” as genre crap?”

Ou: “será que na acadimia [sic] os senhores doutores tem vergonha de dizer que gostam de livros que gente do ‘mundo real’ diz que é de criança?”, em tradução livre.

E ele traz uma hipótese interessante. É possível que ele peque no etnocentristmo. Isso porque ele chama o realismo mágico de “fantasia surreal” que acontece em locais problemáticos. Em oposição à “fantasia sistemática”, com regras e que tends to come from Western writers, who live in nations where “peace, order, and good government” (as aspas são dele mesmo).  Mas a frase que mais me chama a atenção é quando ele fala que:

“Their magic is random, surreal and arbitrary because their worlds are random, surreal and arbitrary.”

Pode ser que só seja difícil ver essa definição vinda “de cima” e aceitá-la sem reservas. Mas beleza, eu acho que ele tem um ponto e vale a pena pensar sobre isso. 

Só que isso me faz pensar que, talvez, o valor literário para os críticos esteja, na realidade, muito mais pelo aspecto exótico, então. Partindo do pressuposto de que realmente o mundo da magia sistemática se refletem nas características de ordem, paz e um bom governo (faz-me rir), é possível supor que o apreço da academia para essa categoria esteja no incomum da visão de mundo – no exotismo, pra me repetir.

“What the surreal fantasists have to say about desperation and tragedy and violence is more powerful because, alas, the desperation and tragedy and violence they’re writing about isn’t fantastic at all.”

Isso resume em parte a minha idéia.

Claro, é possível que eu esteja viajando. Mas todo mundo sabe o quanto me é caro essa coisa de ir contra a maré da crítica. (hohoho)

(Ou, em tradução livre, Se não está feliz, então escreva você mesmo a sua própria série de fantasia com mais de 1.ooo.ooo de palavras)

Não sou lá muito fã de Neil Gaiman, mas esse post dele é bem interessante. Basicamente é uma defesa dos escritores seja-lá-do-que-for que ainda não terminaram suas obras.

Isso acontece com muita frequência em quadrinhos, e de certa forma me surpreendeu quando me dei conta de que acontece com sérias longas de livros também. Nada mais lógico, na verdade. Mas acho que, pela natureza de um livro, em oposição a um “gibi” (maldito termo pejorativo), as pessoas tendem a ser mais compreensivas. Acho que foi o Brandon Sanderson que falou que, diferente de outras mídias, livros somente podem ser escritos pelo seu autor. E paciência se acontece de a vida acontecer nesse meio tempo.

Ainda assim, mesmo que eu concorde com o Gaiman, acho que todo mundo está traumatizado pelo lado mercadológico do “Mal de Arquivo-X” que sempre teme que o final nunca chegue não por razões criativas, mas sim porque alguém precisa trocar o seu BWM. É compreensível, portanto, essa coisa de achar que o autor, editor, produtor e afins tenham alguma responsabilidade para com o seu público.

Não que eu ache que seja esse o caso do George Martin (não o beatle) nem do Jordan, para aproveitar a deixa. Até porque eu entendo muito bem sobre preguiça (não que eu ache que seja isso, mais uma vez) de escrever – eu sou daquele clube que prefere ter escrito algo a escrever algo. É só que, caramba, escrever pode ser muito trabalhoso…

Bah, como é mais fácil só ler. :)

Li uma pequena matéria no Tor.com sobre como as pessoas ficam sabendo do lançamento de livros; ou mais, de seus livros favoritos ou cuja espera é muito ansiada. Mais uma enquete, na realidade. E, em grande parte dos casos, é por meio de blogs. 

Uma das razões pelas quais a gente na Caladwin está lançando a série The Wheel of Time (por razões mercadológicas, só chamarei de A Roda do Tempo de agora em diante) é justamente porque tem pouca coisa nessa linha pra ser ler aqui no BR. Claro, tem tido mais ultimamente, mas nada que se equipare a Senhor dos Anéis em termos de apelo – até agora. ;)

E, lendo esse artigo, descobri que um editor tem seu próprio blog para falar dos livros dos autores com os quais trabalha. Então, pensei: eu podia fazer o mesmo. A ideia por trás, portanto, é comentar um pouco sobre a minha experiência com os livros da Caladwin, além de falar sobre esse material todo que tenho lido pra, quem sabe, encontrar the next big thing.

Culpo, em parte, o Fabrício, que sempre postou nos seus blogs sem dar muita bola se alguém iria ler ou não. 

Pra concluir, o nome do blog vem de uma expressão de A Roda do Tempo mesmo: he who comes with the dawn. Não sei se a tradução oficial, quando chegarmos nesse termo, será essa. Mas é que, como A Roda do Tempo tem feito parte da minha vida por 24 horas por dia pelo último ano e meio quase, nada mais justo do que essa influência toda se refletir por aqui. 

Por enquanto é isso mesmo. O Olho do Mundo vem aí, e nada mais será como era antes. :)